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Tem-se propagado a
falsa idéia de que o aumento do número de computadores
disponíveis para a população, por si só, significa
inclusão digital. É verdade, porém, que sem
computadores nunca teremos um programa de inclusão
digital funcionando. No entanto, oferecer o acesso ao
computador e não educar o seu uso ou, melhor,
direcionar o uso dessa ferramenta para um fim específico
é como dar um carro a alguém e não lhe ensinar a
dirigir, não mencionar que existem regras de trânsito
e, talvez até, nem ensinar a trocar um pneu furado.
Assistimos
em Maceió e em outras capitais brasileiras o aumento do
número de lan nets, cyber lans, ou qualquer nome que o
valha, inclusive em bairros periféricos das cidades, o
que tem sido interpretado erroneamente como um processo
de inclusão digital. Nada mais aleivoso do que
considerar seus usuários como cidadãos digitalmente
alfabetizados. Primeiro, porque uma iniciativa como essa
visa exclusivamente o lucro de seu proprietário sem
qualquer compromisso com o usuário que não seja o seu
dinheiro. Segundo, porque, verdadeiramente, o conteúdo
a que têm acesso os ditos internautas pode ser
considerado o lixo sideral da galáctica rede. Jogos em
rede, blogs e fotologs passam bem longe de um programa
de educação digital.
É bem difícil
imaginar um verdadeiro programa de inclusão sem o
compromisso do poder público ou, ao menos, o seu
reconhecimento, apoio ou incentivo. Esse é o primeiro
item, ou o ponto de partida. O segundo, que seu acesso não
esteja condicionado ao pagamento, isto é, que exista
gratuidade no sistema. E terceiro, o mais importante,
que haja um projeto educativo com metas e resultados,
acompanhamento e inclusão no mercado de trabalho, a
verdadeira finalidade do projeto.
Evidentemente, isso não ocorrerá em um espaço
que não tenha sido planejado especificamente para esse
fim e sem pessoas treinadas com esse objetivo.
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