Setembro/2006

A verdadeira inclusão digital

Eduardo Vasconcellos

 

Tem-se propagado a falsa idéia de que o aumento do número de computadores disponíveis para a população, por si só, significa inclusão digital. É verdade, porém, que sem computadores nunca teremos um programa de inclusão digital funcionando. No entanto, oferecer o acesso ao computador e não educar o seu uso ou, melhor, direcionar o uso dessa ferramenta para um fim específico é como dar um carro a alguém e não lhe ensinar a dirigir, não mencionar que existem regras de trânsito e, talvez até, nem ensinar a trocar um pneu furado.

                Assistimos em Maceió e em outras capitais brasileiras o aumento do número de lan nets, cyber lans, ou qualquer nome que o valha, inclusive em bairros periféricos das cidades, o que tem sido interpretado erroneamente como um processo de inclusão digital. Nada mais aleivoso do que considerar seus usuários como cidadãos digitalmente alfabetizados. Primeiro, porque uma iniciativa como essa visa exclusivamente o lucro de seu proprietário sem qualquer compromisso com o usuário que não seja o seu dinheiro. Segundo, porque, verdadeiramente, o conteúdo a que têm acesso os ditos internautas pode ser considerado o lixo sideral da galáctica rede. Jogos em rede, blogs e fotologs passam bem longe de um programa de educação digital.

                É bem difícil imaginar um verdadeiro programa de inclusão sem o compromisso do poder público ou, ao menos, o seu reconhecimento, apoio ou incentivo. Esse é o primeiro item, ou o ponto de partida. O segundo, que seu acesso não esteja condicionado ao pagamento, isto é, que exista gratuidade no sistema. E terceiro, o mais importante, que haja um projeto educativo com metas e resultados, acompanhamento e inclusão no mercado de trabalho, a verdadeira finalidade do projeto.  Evidentemente, isso não ocorrerá em um espaço que não tenha sido planejado especificamente para esse fim e sem pessoas treinadas com esse objetivo.


 

Nos dê um retorno...

O que você achou deste artigo?

Excelente
Bom
Razoável
Fraco

Comentários:

Nome:

 

 

 
 
© O Farol - informativo da família. 1996-2006