| É sutil a pergunta do plebiscito sobre desarmamento que será realizado neste mês. Talvez por ser o primeiro em território brasileiro, a questão já deixa transparecer uma certa intenção do mandante do pleito. Sabemos que desde crianças identificamos o vocábulo “não” como uma palavra de caráter negativo. Isto é, sempre que algo é proibido, ilícito, errado, acostumamos a relaciona-lo com o “não”. Isso pode gerar uma certa confusão na mente de pessoas menos esclarecidas, pois a tendência normal seria responder “não, não quero isso”, no entanto, se respondermos “não” à pergunta “Você é contra a comercialização de armas de fogo no Brasil?”, estamos, na realidade permitindo a prática daquilo que abominamos.
Com respeito ao comércio, é evidente que deve ser proibido. E não só para “leigos cidadãos”. O uso de armas como hobbie também é questionável, ainda que este não seja o foco maior da questão. O maior argumento daqueles que pleiteiam a liberação
parece ser a defesa própria, sacando da polícia ou, em casos extremos, do exército, o dever e a obrigação de salvaguardar a vida de seus compatriotas. E nessa transferência de encargos existe mais do que o mero direito do cidadão defender-se. Trata-se, na verdade, de que se o cidadão comum assume essa responsabilidade ele quebra uma relação contratual entre o público e o privado, onde o primeiro responde pela coletividade e, na vigência desse contrato reside, pelo menos em tese, a harmonia da relação e a paz dos cidadãos.
Há também o aspecto
econômico que, certamente, demanda muito empenho daqueles que se beneficiam desse comércio e de todo tipo de transações paralelas. É preciso ir mais fundo e coibir a produção de armas, a sua industrialização, pois não queremos que, como nossos vizinhos do norte, tenhamos toda a política do governo determinada pelos financiadores das campanhas presidenciais. Para esse efeito, deixamos a sugestão de criar-se uma gama de subsídios para que indústrias bélicas possam mudar de ramo de atividade.
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