Outubro/2005

A história do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes - UFAL
- trajetória do tratamento oncológico em Alagoas -

Teresa Cristina Teixeira Maia

 

A Faculdade de Medicina...

             A Faculdade de Medicina de Alagoas foi fundada em 03 de maio de 1950, sob a forma jurídica de uma Sociedade Civil mantenedora. Para obter permissão de funcionamento, segundo a lei vigente do Ministério de Educação e Cultura, carecia do seguinte:

a)      Corpo docente com títulos correspondentes às investiduras

b)      Biblioteca

c)      Hospital-escola

d)      Patrimônio mínimo de 1000 contos de reis

e)      Edifício sede com instalações e equipamentos.

          O Governo Federal, sob o comando do General Eurico Gaspar Dutra, fez a doação do quartel que servia ao 20º Batalhão de Caçadores (antigo 33º batalhão), situado na Praça Afrânio Jorge (antiga Praça Calabar), então quase em ruínas, para ser o prédio principal da nova escola de ensino médico. A colaboração oferecida na época pela Santa Casa de Misericórdia de Maceió, possibilitou que o ensino profissional médico fosse feito também em um hospital, pois o Hospital do Exército não oferecia condições técnicas para isso.

O velho quartel sofreu obras de recuperação e adaptação, iniciadas em fevereiro de 1951, com a colaboração inestimável do arquiteto Saint-Yves Simon (projeto da fachada), irmão do nosso saudoso Prof. Roland Simon. As obras prosseguiram meses a fio, contando com a colaboração de diversas indústrias e firmas comerciais de Alagoas. A causa era grande, tão grande que não prescindia mesmo das pequenas contribuições, desde que dadas com agrado.

 “Para atingir os requisitos exigidos pelo MEC, o patrimônio ainda se constituía num grave problema, pois o dinheiro da Sociedade Civil era um total de 90 contos, resultante da cooperação pessoal dos professores, à base de três contos, individualmente”.(29)

1978 – Homenagem  aos Professores Eméritos
Antonio César de Moura Castro, Ib Gatto Falcão,Padre João Leite Neto.

Prof. Ib Gatto agradece em nome dos professores eméritos

O Professor Ib Gatto Falcão, um dos fundadores e o 1º Presidente da Sociedade Civil Mantenedora e um dos fundadores e o 1º Diretor da Faculdade de Medicina, iminente homem público ligado diretamente a todas as iniciativas importantes nas áreas do ensino e da saúde, assim depôs (30): “... Sabendo que o Governo Federal construía um hospital de alienados que veio a ser o atual Hospital Portugal Ramalho, procurei, acompanhado dos Professores Pedro Reys e Rodrigo Ramalho, o Governador Silvestre Péricles, para solicitar que o Estado doasse o Santa Leopoldina para constituição do patrimônio da Sociedade Civil da Faculdade de Medicina do Estado de Alagoas. Tivemos êxito, conseguindo, mesmo sem consulta ao então Diretor de Saúde Pública doutor Cláudio Magalhães, e o Governador assinou mensagem para a Assembléia. Esta aprovou a proposta que foi sancionada pelo Governador e que pode ser encontrada no Diário Oficial da época”.(29)

O relevante fato foi também divulgado no Jornal de Alagoas, em entrevista com o Professor Abelardo Duarte, em Janeiro de 1951: “Sei que, por mim lançada, após madura reflexão, a idéia de fundar-se uma Faculdade de Medicina entre nós, encontrou eco, fez prosélitos, criou corpo e, por fim, forma jurídica. E de minha residência à avenida Fernandes Lima, onde ocorreram as primeiras confabulações, os primeiros serões noite a dentro, em pouco, constituída a sua primeira Comissão Organizadora, acrescido o número de adeptos com novas adesões, surgia a nossa Faculdade”. (29, 39) Mais tarde, o prof. Abelardo Duarte tornou-se o primeiro diretor do HU – UFAL. (39).

            Prosseguiu o Professor Ib Gatto: “Após, a nosso convite, o Engº Anselmo Botelho, Diretor do Patrimônio Nacional, fez a avaliação necessária, comprovando o valor dos 1000 contos indispensáveis para o seguimento do processo no Ministério da Educação e Conselho Federal de Educação... Registre-se, de passagem, o silêncio, quando se fala em ensino médico em Alagoas, da contribuição valiosa e benemérita de Luiz Calheiros e Silvestre Péricles, sem a qual a Faculdade não teria sido autorizada... Era nossa intenção, após a inauguração do Portugal Ramalho, fosse o prédio do Santa Leopoldina adaptado para um ambulatório. As administrações que me sucederam pensaram em um projeto de hospital, cuidando então da demolição do prédio do Santa Leopoldina”.(30).

O Professor Aristóteles Calazans Simões, também um dos fundadores da Faculdade de Medicina de Alagoas e posteriormente seu Diretor; foi o primeiro Reitor da Universidade Federal de Alagoas, criada no final do Governo Juscelino Kubistchek; o Campus da Universidade leva seu nome em justa homenagem àquele Reitor.(30)

Em pé: Prof. Calazans, à esquerda, Assessor do MEC Edgar Magalhães ao
centro e o
Deputado Federal por Alagoas Prof. Medeiros Neto, à direita.
Sentado: Presidente Juscelino  Kubistchek, ao sancionar a lei 3.867/61,
criando a
Universidade Federal de Alagoas, às 10:30 hs. de 26.jan.1961.(39)

Em seu depoimento informou que, “quando se cogitou de construir o Hospital das Clínicas, o prédio do Santa Leopoldina ainda se achava de pé. Foi a Sociedade Civil Faculdade de Medicina de Alagoas que demoliu o prédio, em 1951, e iniciou a construção do futuro Hospital das Clínicas”.

A frente do Santa Leopoldina era voltada para o lado Esquerdo da Faculdade (antigo 20º BC) e confrontava com a fachada do Instituto Estácio de Lima, construído pela Sociedade Civil para que nele funcionasse, em convênio com o Governo do Estado, o Serviço Médico Legal e servisse ao ensino das cátedras de Medicina Legal e Anatomia Patológica da Faculdade. ...Sob o terreno do Santa Leopoldina, em quase toda a sua área, há diversos blocos de concreto dos alicerces do que seria o Hospital das Clínicas, que deveria ter cinco andares. Até o dia em que foram paralisadas, as obras dessa construção, foram elas, por designação da Diretoria da Sociedade Civil, fiscalizadas pelo Professor Antonio Mafra, da Escola de Engenharia. A planta do hospital foi feita pelo arquiteto alagoano Israel Correia, com firma estabelecida no Rio de Janeiro.

Com a criação da Universidade Federal e a possibilidade de construção de uma ‘Cidade Universitária’, onde seriam concentrados todos os prédios da Universidade, deliberou a Sociedade Civil, que depois se extinguiu, parar as obras do Hospital das Clínicas, que foi apenas um sonho.”(30)

O curso ministrado pela Faculdade de Medicina de Alagoas foi reconhecido por decreto federal em 27 de outubro de 1953. Formou-se a primeira turma em 1954.

Teresa Cristina Teixeira Maia, Médica - Oncologista Clínica, Ex-Aluna UFAL, Ex-Residente Médica do INCA-MS, Chefe Médica do Setor de Oncologia Clínica do HUPAA

 

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