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A
Faculdade de Medicina...
A Faculdade de Medicina de Alagoas foi fundada em 03 de maio de
1950, sob a forma jurídica de uma Sociedade Civil mantenedora. Para
obter permissão de funcionamento, segundo a lei vigente do Ministério
de Educação e Cultura, carecia do seguinte:
a)
Corpo docente com títulos correspondentes às investiduras
b)
Biblioteca
c)
Hospital-escola
d)
Patrimônio mínimo de 1000 contos de reis
e)
Edifício sede com instalações e equipamentos.
O
Governo Federal, sob o comando do General Eurico
Gaspar Dutra, fez a doação do quartel que servia ao 20º Batalhão
de Caçadores (antigo 33º batalhão), situado na Praça Afrânio
Jorge (antiga Praça Calabar), então quase em ruínas, para ser o prédio
principal da nova escola de ensino médico. A colaboração oferecida na
época pela Santa Casa de Misericórdia de Maceió, possibilitou que o
ensino profissional médico fosse feito também em um hospital, pois o
Hospital do Exército não oferecia condições técnicas para
isso.
O
velho quartel sofreu obras de recuperação e adaptação, iniciadas em
fevereiro de 1951, com a colaboração inestimável do arquiteto Saint-Yves
Simon (projeto da fachada), irmão do nosso saudoso Prof. Roland Simon. As obras prosseguiram meses a fio, contando com a
colaboração de diversas indústrias e firmas comerciais de Alagoas. A
causa era grande, tão grande que não prescindia mesmo das pequenas
contribuições, desde que dadas com agrado.
“Para
atingir os requisitos exigidos pelo MEC, o patrimônio ainda se constituía
num grave problema, pois o dinheiro da Sociedade Civil era um total de
90 contos, resultante da cooperação pessoal dos professores, à base
de três contos, individualmente”.(29)
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1978 – Homenagem aos
Professores Eméritos
Antonio César de Moura
Castro, Ib Gatto Falcão,Padre João Leite Neto. |
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Prof.
Ib Gatto agradece em nome dos professores eméritos |
O
Professor Ib Gatto Falcão, um dos fundadores e o 1º Presidente da Sociedade
Civil Mantenedora e um dos fundadores e o 1º Diretor da Faculdade de
Medicina, iminente homem público ligado diretamente a todas as
iniciativas importantes nas áreas do ensino e da saúde, assim depôs
(30): “... Sabendo que o Governo Federal construía um hospital de
alienados que veio a ser o atual Hospital Portugal Ramalho, procurei,
acompanhado dos Professores Pedro Reys e Rodrigo Ramalho,
o Governador Silvestre Péricles,
para solicitar que o Estado doasse o Santa Leopoldina para constituição
do patrimônio da Sociedade Civil da Faculdade de Medicina do Estado de
Alagoas. Tivemos êxito, conseguindo, mesmo sem consulta ao então
Diretor de Saúde Pública doutor Cláudio
Magalhães, e o Governador assinou mensagem para a Assembléia. Esta
aprovou a proposta que foi sancionada pelo Governador e que pode ser
encontrada no Diário Oficial da época”.(29)
O
relevante fato foi também divulgado no Jornal de Alagoas, em entrevista
com o Professor Abelardo Duarte, em Janeiro de 1951: “Sei que, por mim lançada,
após madura reflexão, a idéia de fundar-se uma Faculdade de Medicina
entre nós, encontrou eco, fez prosélitos, criou corpo e, por fim,
forma jurídica. E de minha residência à avenida Fernandes Lima, onde
ocorreram as primeiras confabulações, os primeiros serões noite a
dentro, em pouco, constituída a sua primeira Comissão Organizadora,
acrescido o número de adeptos com novas adesões, surgia a nossa
Faculdade”. (29, 39) Mais tarde, o prof. Abelardo Duarte tornou-se o
primeiro diretor do HU – UFAL. (39).
Prosseguiu o Professor Ib
Gatto: “Após, a nosso convite, o Engº Anselmo
Botelho, Diretor do Patrimônio Nacional, fez a avaliação necessária,
comprovando o valor dos 1000 contos indispensáveis para o seguimento do
processo no Ministério da Educação e Conselho Federal de Educação...
Registre-se, de passagem, o silêncio, quando se fala em ensino médico
em Alagoas, da contribuição valiosa e benemérita de Luiz
Calheiros e Silvestre Péricles, sem a qual a Faculdade não teria sido
autorizada... Era nossa intenção, após a inauguração do Portugal
Ramalho, fosse o prédio do Santa Leopoldina adaptado para um ambulatório.
As administrações que me sucederam pensaram em um projeto de hospital,
cuidando então da demolição do prédio do Santa Leopoldina”.(30).
O
Professor Aristóteles Calazans Simões, também um dos fundadores da
Faculdade de Medicina de Alagoas e posteriormente seu Diretor; foi o
primeiro Reitor da Universidade Federal de Alagoas, criada no final do
Governo Juscelino Kubistchek;
o Campus da Universidade leva seu nome em justa homenagem àquele
Reitor.(30)
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Em pé: Prof. Calazans, à
esquerda, Assessor do MEC Edgar Magalhães ao
centro e o
Deputado
Federal por Alagoas Prof. Medeiros Neto, à direita.
Sentado: Presidente Juscelino
Kubistchek, ao sancionar a lei 3.867/61,
criando a Universidade Federal
de Alagoas, às 10:30 hs. de 26.jan.1961.(39) |
Em
seu depoimento informou que, “quando se cogitou de construir o
Hospital das Clínicas, o prédio do Santa Leopoldina ainda se achava de
pé. Foi a Sociedade Civil Faculdade de Medicina de Alagoas que demoliu
o prédio, em 1951, e iniciou a construção do futuro Hospital das Clínicas”.
A
frente do Santa Leopoldina era voltada para o lado Esquerdo da Faculdade
(antigo 20º BC) e confrontava com a fachada do Instituto Estácio de
Lima, construído pela Sociedade Civil para que nele funcionasse, em
convênio com o Governo do Estado, o Serviço Médico Legal e servisse
ao ensino das cátedras de Medicina Legal e Anatomia Patológica da
Faculdade. ...Sob o terreno do Santa Leopoldina, em quase toda a sua área,
há diversos blocos de concreto dos alicerces do que seria o Hospital
das Clínicas, que deveria ter cinco andares. Até o dia em que foram
paralisadas, as obras dessa construção, foram elas, por designação
da Diretoria da Sociedade Civil, fiscalizadas pelo Professor Antonio
Mafra, da Escola de Engenharia. A planta do hospital foi feita pelo
arquiteto alagoano Israel Correia, com firma estabelecida no Rio de
Janeiro.
Com
a criação da Universidade Federal e a possibilidade de construção de
uma ‘Cidade Universitária’, onde seriam concentrados todos os prédios
da Universidade, deliberou a Sociedade Civil, que depois se extinguiu,
parar as obras do Hospital das Clínicas, que foi apenas um
sonho.”(30)
O
curso ministrado pela Faculdade
de Medicina de Alagoas foi reconhecido por decreto federal em 27 de
outubro de 1953. Formou-se a primeira turma em 1954.
Teresa
Cristina Teixeira Maia, Médica - Oncologista Clínica, Ex-Aluna
UFAL, Ex-Residente Médica do INCA-MS, Chefe Médica do Setor de
Oncologia Clínica do HUPAA
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