Setembro/2006

Infecções de Ouvido

Angela Maria Pereira Lopes

 

Anatomicamente o ouvido é dividido em três compartimentos: ouvido externo, ouvido médio e ouvido externo. O ouvido externo é a parte que vai do pavilhão auricular (a orelha) até a membrana do tímpano, passando por um canal - oconduto auditivo externo, no qual é conduzido o som e onde é produzido o cerumen. O ouvido médio é limitado pela membrana timpânica contendo os ossículos e um orifício que comunica a cavidade do ouvido médio com o rinofaringe - chamada tuba auditiva, até as pequenas membranas que comunicam o ouvido interno, chamadas janelas oval e redonda. O ouvido interno contém o órgão nobre da audição, a cóclea e os canais do labirinto; estes, por sua vez, responsáveis pelo equilíbrio do corpo.

                Iremos falar neste momento sobre a otite externa, que é a infecção que acomete a pele do ouvido externo. A infecção pode ser provocada por bactérias e/ou fungos e o sintoma que identifica a otite externa é mais comumente a dor, podendo ocorrer coceira e sensação de pressão quando há edema (inchaço) no conduto auditivo externo.

                As infecções podem ser mais comuns em pacientes alérgicos com quadro eczematoso ou em nadadores devido à umidade que se cria na pele do canal. O fato de esfregar a pele do conduto auditivo e/ou tramautizá-la com o uso do cotonete ou de outros instrumentos, pode desencadear uma reação inflamatória com subsequente dor e, por vezes, secreção serosa e/ou purulenta.

                Para concluir o diagnóstico se faz necessário além de colher a história relatada pelo paciente, examinar o ouvido com um parelho chamado otoscópio. É bom saber que ao remover o cerumen produzido normalmente pelo conduto auditivo externo, como cotonete, o indivíduo estará retirando a proteção do conduto ou poderá empurrar a cera formando uma rolha que funcionará como tampão, dificultando a condução sonora e/ou poderá irritar a pele, levando à infecção.

                É bom salientar que, por vezes, este tampão poderá ser formado de forma espontânea, sem que possamos definir uma causa específica, gerando diminuição da audição. Em qualquer situação esta rolha ceruminosa só poderá ser removida pelo otorrinolaringologista, através de lavagem.

                Em nadadores recomendamos o uso de protetor auricular bilateral além da toca como forma de prevenção. Logicamente, o paciente só poderá ser medicado pelo especialista, após ter sido feito o diagnóstico da infecção, seja por fungos ou por bactérias (muitas vezes ocorre infecção mista), com medicação específica tópica e oral. Para aliviar a dor poderá ser usado um analgésico ou antiinflamatórios.

Angela Maria Pereira Lopes é médica otorrinolaringologista, chefe do setor de Otorrino do Hospítal Memorial Artur Ramos

 

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