“De sorte que haja
em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo
Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por
usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si
mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhantes
aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a
si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz”
Fp 2:5-8
Dados históricos: No período
de 1860-1910, teólogos alemães e ingleses começaram a
defender a encarnação de Jesus com uma nova roupagem.
Essa nova roupagem era a renúncia de alguns atributos
divinos (onisciência, onipotência, onipresença),
enquanto estava como homem. Isso não era visto como
imposição, porém, uma autolimitação voluntária de
Cristo. Essa é a chamada “Teologia Kenótica”.
Kenosis vem do verbo grego kenoõ, que significa
esvaziar (Fp 2:7).
Interpretaremos o texto bíblico
registrado na carta de Paulo aos filipenses, 2:3-8:
+ Nenhum estudioso renomado
durante os 1800 anos de história da Igreja considerou o
termo “esvaziou-se” na interpretação de que Jesus
abandonara algum atributo divino.
+ O texto não diz que Jesus
esvaziou-se de poderes ou atributos divinos.
+ Esse “esvaziar-se” não
subtrai, mas adiciona a forma de servo e semelhança
humana para cumprir uma missão: a morte na cruz.
+ Neste processo percebe-se que
“esvaziou-se” é sinônimo equivalente a “humilhar-se”,
tendo uma nova condição, função e posição, sendo
esta inferior e não precisamente esvaziamento de
atributos naturais, morais ou pessoais, mesmo que por um
pouco de tempo.
+ Outrossim, o intuito de Paulo
não é defender a tese do “esvaziamento” de Jesus,
mas de convencer aos destinatários a fazer tudo com
humildade e considerando o próximo superior a si mesmo
(2.3). Para esta lei máxima, Paulo toma o maior exemplo
de Jesus Cristo (vs. 5-8).
+ “De sorte que haja em vós o
mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”.
Paulo não nos adverte a abandonar a nossa
inteligência, força, capacidade, habilidade ou
atributo. Porém, que coloquemos os interesses alheios
(das pessoas) como razões de vida: “não atente cada
um para o que é propriamente seu, mas cada qual também
para o que é dos outros” (2.4)
+ Disse Wayne: “A teoria da
kenosis passou a ser um jeito cdaa vez mais aceitável
de dizer que, de algum modo, Jesus era Deus, mas um tipo
de Deus que havia deixado, por algum tempo, algumas de
suas qualidades, aquelas qualidades que as pessoas
tinham dificuldade em aceitar no mundo moderno”.
(GRUDEM, 1999,p.455)
Portanto, a humilhação de
Jesus Cristo consiste em ter nascido e vivido em uma
circunstância humilde e sofredora (Lc 2.7; Hb5.8);
estado sujeito a Lei (obras, mosaica e moral), conforme
Gl 4.4-5; vivenciado a realidade da morte (Lc 22:41-42);
suportado a ira de Deus (II Co 5.21; Is 53.12).