Dezembro/2005

A Teoria da Kenosis

Ismael da Silva

 

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhantes aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” Fp 2:5-8

Dados históricos: No período de 1860-1910, teólogos alemães e ingleses começaram a defender a encarnação de Jesus com uma nova roupagem. Essa nova roupagem era a renúncia de alguns atributos divinos (onisciência, onipotência, onipresença), enquanto estava como homem. Isso não era visto como imposição, porém, uma autolimitação voluntária de Cristo. Essa é a chamada “Teologia Kenótica”. Kenosis vem do verbo grego kenoõ, que significa esvaziar (Fp 2:7).

Interpretaremos o texto bíblico registrado na carta de Paulo aos filipenses, 2:3-8:

+ Nenhum estudioso renomado durante os 1800 anos de história da Igreja considerou o termo “esvaziou-se” na interpretação de que Jesus abandonara algum atributo divino.

+ O texto não diz que Jesus esvaziou-se de poderes ou atributos divinos.

+ Esse “esvaziar-se” não subtrai, mas adiciona a forma de servo e semelhança humana para cumprir uma missão: a morte na cruz.

+ Neste processo percebe-se que “esvaziou-se” é sinônimo equivalente a “humilhar-se”, tendo uma nova condição, função e posição, sendo esta inferior e não precisamente esvaziamento de atributos naturais, morais ou pessoais, mesmo que por um pouco de tempo.

+ Outrossim, o intuito de Paulo não é defender a tese do “esvaziamento” de Jesus, mas de convencer aos destinatários a fazer tudo com humildade e considerando o próximo superior a si mesmo (2.3). Para esta lei máxima, Paulo toma o maior exemplo de Jesus Cristo (vs. 5-8).

+ “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”. Paulo não nos adverte a abandonar a nossa inteligência, força, capacidade, habilidade ou atributo. Porém, que coloquemos os interesses alheios (das pessoas) como razões de vida: “não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (2.4)

+ Disse Wayne: “A teoria da kenosis passou a ser um jeito cdaa vez mais aceitável de dizer que, de algum modo, Jesus era Deus, mas um tipo de Deus que havia deixado, por algum tempo, algumas de suas qualidades, aquelas qualidades que as pessoas tinham dificuldade em aceitar no mundo moderno”. (GRUDEM, 1999,p.455)

Portanto, a humilhação de Jesus Cristo consiste em ter nascido e vivido em uma circunstância humilde e sofredora (Lc 2.7; Hb5.8); estado sujeito a Lei (obras, mosaica e moral), conforme Gl 4.4-5; vivenciado a realidade da morte (Lc 22:41-42); suportado a ira de Deus (II Co 5.21; Is 53.12).



Ismael da Silva é Pastor da Assembléia de Deus em Maceió e professor da Faculdade de Filosofia e Teologia de Alagoas - FAFITEAL

 

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