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A Páscoa é uma das
celebrações religiosas mais populares do mundo. Mas,
ela está realmente baseada na Bíblia? Meditemos no
seguinte por um momento: esta festa é um dos feriados
religiosos mais importantes para os cristãos, mas em
nenhuma parte da Bíblia nem no livro de Atos dos
Apóstolos, que abrange várias décadas de história da
Igreja Primitiva, nem em nenhuma das epístolas do Novo
Testamento, escritas ao longo de 30 a 40 anos depois da
morte e ressurreição de Jesus Cristo, vemos que os
apóstolos ou os primeiros cristãos tenham celebrado
algo semelhante à “Páscoa Florida” ou à “Páscoa
de Ressurreição”. [1]
Os evangelhos mesmo
parecem ter sido escritos desde aproximadamente uma
década depois da morte e ressurreição de Jesus até
uns sessenta anos mais tarde (no caso de João). No
entanto, em nenhum deles encontramos a menor alusão a
uma celebração que se assemelhe a Páscoa Florida. Si
a Páscoa Florida não provém da Bíblia nem foi
celebrada por nenhum dos apóstolos, de onde ela
provém?
A assombrosa origem
da Páscoa Florida
No Dicionário do Novo
Testamento do lexicógrafo W.E.Vine, encontramos a
seguinte definição do termo Páscoa: “Pascha, a
transcrição grega do termo aramaico para a Páscoa, do
hebraico pesach, passar por cima, saltar, é uma festa
instituída por Deus em comemoração da libertação de
Israel do Egito, e antecipando o sacrifício expiatório
de Cristo....
A festa da Páscoa
celebrada pelos cristãos nos tempos pós-apostólicos
era uma continuação da festa judia, mas não foi
instituída por Cristo, nem estava relacionada com a
Quaresma. A festa pagã em homenagem a deusa da
primavera, Eástre (outra forma do nome Astarte, um dos
títulos da deusa babilônica, a rainha dos céus), era
totalmente diferente daquela Páscoa; mesmo assim, a
festa pagã conseguiu introduzir-se na apóstata
religião ocidental sob a forma de páscoa, como parte
da tentativa de adaptar as festas pagãs no seio da
cristandade.
É certo que em inglês
recebe o nome de Easter, derivado de Eastre, o que
evidencia a verdadeira origem pagã da chamada páscoa
cristã, que não coincide no tempo com a páscoa judia.”
Ou seja, a versão moderna desta festa não tem origem
bíblica, senão que se deriva do culto a Astarté, uma
deusa caldéia (babilônica) conhecida com a “rainha
dos céus”. Ela é mencionada por este mesmo nome na
Bíblia, no livro de Jeremias 7:18 e 44:17-19,25.
Também no livro
de 1 Reis 11:5 e 2 Reis 23:13 há referências a
Astarote, a versão hebraica de seu nome. É parte da
mesma religião que Deus condena. Os primeiros
cristãos, inclusive depois da era apostólica,
continuaram observando uma variante da festa bíblica da
Páscoa (sua diferença radicava no novo simbolismo
introduzido por Jesus; ver, por exemplo, Mateus 26:26-28
e 1 Coríntios 11:23-28, textos que fazem referência à
Santa Ceia, onde o pão e o vinho simbolizam o corpo e o
sangue de Cristo, respectivamente).
A Páscoa Florida era
muito diferente da Páscoa do Antigo Testamento e do
Novo Testamento tal com a entendia e praticava a Igreja
Primitiva, a qual se baseava nos ensinamentos de Jesus e
dos apóstolos. Assim, a Páscoa Florida era um festival
pagão cujas raízes se originavam na adoração a
outros deuses.
Símbolos
Pré-Cristãos
A Enciclopédia
Católica, no seu artigo Páscoa, diz o seguinte: “O
termo inglês para Páscoa, Easter, segundo Beda o
Venerável (monge do século oitavo), se relaciona com
Estre, uma deusa teutônica da luz nascente do dia e da
primavera, deidade, no entanto, que é por demais
desconhecida...” (http://www.enciclopediacatolica.com/p/pascua.htm)
Estre é o antigo nome
europeu que se dava a mesma deusa venerada pelos
babilônios, Astarté ou Istar, deusa da fertilidade,
cuja celebração mais importante se dava na primavera
(no hemisfério norte). No mesmo artigo e sob o
subtítulo “Ovos de Páscoa”, lemos que “o costume
pode ter sua origem no paganismo pois uma grande
quantidade de costumes pagãos, que celebravam o retorno
da primavera, foram introduzidos na Páscoa”. O
subtítulo “Coelho de Páscoa” afirma: “o coelho
é um símbolo pagão e sempre foi um emblema da
fertilidade”.
No livro Catholic
Customs and Traditions, o escritor Greg Due explica em
detalhes o simbolismo do ovo nas antigas culturas
pré-cristãs. “O ovo se converteu num símbolo muito
popular da Páscoa Florida. Os mitos sobre a criação
de muitos povos da antiguidade se baseiam num ovo
cósmico que deu origem ao universo”. Nos antigos
povos do Egito e da Pérsia os amigos trocavam ovos
decorados no equinócio da primavera, isto é, no
começo de um novo ano.
Estes ovos eram para
eles um símbolo da fertilidade, pois muito se admiravam
que saísse uma criatura viva do interior de um ovo. Os
cristãos ocidentais adotaram esta tradição e o ovo de
páscoa passou a ser um símbolo religioso. Chegou a
representar o sepulcro do qual emergiu Jesus (Costumes e
Tradições Católicas, 1992, p. 101). O mesmo autor
explica que assim como o ovo, o coelho foi associado à
Páscoa Florida por simbolizar poderosamente a
fertilidade: “com freqüência as crianças aprendem
que são os coelhos que trazem os ovos.”
O que estas fontes nos
dizem é que a cristandade substituiu o significado da
Páscoa Bíblia e da Festa dos Pães Asmos por coelhos e
ovos, símbolos pagãos da fertilidade. Tais símbolos
desvirtuam e ocultam a verdade sobre a morte e
ressurreição de Jesus Cristo.
A Páscoa Florida se
impõe
No entanto, a história
não termina aqui. Na realidade, muitas fontes
confiáveis confirmam que a Páscoa Florida se converteu
num festival que substituiu as celebrações bíblicas
da Páscoa e da Festa dos Pães Asmos. A Enciclopédia
Britânica diz que “não há indícios da celebração
da Páscoa Florida no Novo Testamento, nem nos escritos
dos pais apostólicos.... os primeiros cristãos
continuaram celebrando as festas judias, ainda que com
um espírito renovado, como comemorações dos eventos
que representavam estas festas...
Por outro lado, os
cristãos gentios, livres das tradições judias,
identificaram o primeiro dia da semana (domingo) com a
Ressurreição, e guardaram a sexta-feira que o precedia
como comemoração da Crucificação, sem ter em conta o
dia do mês”. Foi assim que a Páscoa Florida, um
festival pagão com seus correspondentes símbolos
pagãos de fertilidade, substituiu as festas ordenadas
por Deus e que foram celebradas tanto por Jesus como
pelos apóstolos e a Igreja Primitiva. Mas isto não
aconteceu da noite para o dia; esta prática somente se
consolidou três séculos depois, no ano 325 d.C..
Lamentavelmente, não
foi edificada sobre alicerce bíblico senão sobre as
bases do anti-semitismo e do poder eclesiástico e
imperial. Como explica mais detalhadamente a
Enciclopédia Britânica, “uma das razões que levou
Constantino (o imperador romano) a convocar o Concílio
de Nicea em 325 foi a de alcançar um acordo definitivo
sobre a disputa (si se deveria guardar a Páscoa Florida
ou a bíblica)...
A decisão unânime foi
que a Páscoa deveria celebrar-se um domingo e o mesmo
domingo em todo o mundo e que ninguém deveria 'imitar a
cegueira dos judeus'”. Aqueles que continuaram
celebrando as mesmas festas bíblicas que celebraram
Jesus e seus apóstolos em vez do festival “cristianizado”
recém criado, foram sistematicamente perseguidos pela
poderosa aliança entre a Igreja e o Estado, sob o
imperador Constantino. Este festival da Páscoa Florida
logo se tornou uma das festas mais populares do
cristianismo tradicional.
A influência do
paganismo
O historiador
britânico James Frazer menciona como a Páscoa Florida
e seus rituais entraram na igreja romana estabelecida,
junto a outros costumes e celebrações pagãs: “Tomadas
juntamente as festas pagãs e as festas cristãs vemos
como têm coincidências muito estreitas e muito
numerosas para considerá-las meramente acidentais; elas
mostram a aliança a que se viu obrigada a Igreja na
hora de seu triunfo sobre as demais rivais vencidas (as
outras religiões que competiam com o cristianismo
dentro do Império Romano), mas ainda perigosas.”
Assim, “o inflexível
espírito de protesto dos missionários primitivos, com
suas ferozes denúncias do paganismo, foi tornando-se em
conduta flexível, tolerância cômoda e compreensiva
caridade dos eclesiásticos solapados que perceberam
claramente que para que o cristianismo conquistasse o
mundo seria preciso atenuar as regras muito rígidas de
seu fundador, alargando a porta estreita que conduz à
salvação”.
Em resumo, para
aumentar e ampliar o atrativo da nova religião “cristã”
dos primeiros séculos, as poderosas autoridades
eclesiásticas romanas, com o apoio do Império Romano,
simplesmente adotaram os rituais e as práticas das
religiões pagãs, as rebatizaram como “cristãs” e
criaram um tipo de cristianismo completamente novo, com
costumes e ensinamentos diametralmente opostos aos
ensinados pela Igreja que Jesus fundou.
O cristianismo
autêntico da Bíblia quase desapareceu por completo e
foi forçado à clandestinidade pela perseguição, pois
seus seguidores se recusaram compactuar com o sistema
vigente. A Páscoa Florida não representa fielmente o
sofrimento, a morte e a ressurreição de Cristo, ainda
que assim considerem os que aceitam as tradições
religiosas cegamente.
Muitos dos que
professam ser cristãos podem fazer-se essa pergunta ao
deparar-se com esses fatos a respeito da Páscoa: com
tantos milhões de cristãos bem intencionados, por que
Deus não se compadeceria? No entanto, Jesus já deixou
resposta a essa pergunta em Mateus 15:9, onde,
referindo-se a seu Pai, disse: “em vão me honram,
ensinando doutrinas e mandamentos de homens”. Como
você quer adorar a Deus: em espírito e em verdade (Jo
4:23) ou segundo fraudes e fábulas?
Traduzido por
Eduardo Vasconcellos
[1] O autor utiliza os
termos “Florida” e “Ressurreição” para
mencionar os nomes como é conhecida a festa da Páscoa
em alguns países. Aqui no Brasil, a festa chama-se
simplesmente Páscoa, porém os símbolos utilizados -
coelhos, chocolates e ovos coloridos, características
que contrariam a Bíblia, estão presentes em lugar de
destaque. [Nota do Tradutor].
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