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A supremacia de Deus na pregação exige que o nosso alvo constante nela seja expor e engrandecer a glória de Deus, e que a suficiência plena da cruz do Filho de Deus seja a confirmação consciente de nossa pregação e a humilhação de nosso orgulho. Nada disso ocorrerá, no entanto, exclusivamente em nós. O trabalho soberano do Espírito de Deus deve ser o poder pelo qual tudo é alcançado.
Quão completamente dependentes somos do Espírito Santo no serviço da pregação! Toda pregação genuína está enraizada em um sentimento de desespero. Você acorda no Domingo de manhã e é capaz de cheirar a fumaça do inferno de um lado e sentir as refrescantes brisas do céu de outro. Vai ao seu escritório e examina seu desprezível manuscrito, e se ajoelha e clama: “Deus, isto é tão fraco! Que penso que sou? Que audácia pensar que, em três horas, minhas palavras serão o odor da morte para a morte e a
fragrância da vida para a vida (2Co 2.16). Meu Deus, quem é apto para estas coisas?”
Phillips Brooks costumava aconselhar seus jovens pregadores com estas palavras: “Nunca deixe que você se sinta à altura de seu trabalho. Se algum dia achar este espírito crescendo em você, fique apreensivo”. E há uma razão para ficar apreensivo: seu Pai irá quebrantá-lo e humilhá-lo. Há alguma razão pela qual Deus deveria qualificá-lo ao ministério da pregação, de maneira diferente da que fez com Paulo?
“Irmãos, não queremos que vocês desconheçam as tribulações que sofremos na província da Ásia, as quais foram muito além da
nossa capacidade de suportar, a ponto de perdermos a esperança da própria vida. De fato, já
tínhamos sobre nós a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos (2Co 2.8-9)”. “Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar (2Co12.7)”.
Os perigos da autoconfiança e da auto-exaltação no ministério da pregação são tão traiçoeiros que Deus irá golpear-nos, se preciso for, a fim de quebrantar nossa autoconfiança e o uso despreocupado de nossas técnicas profissionais.
Portanto, Paulo pregou “em fraqueza e em grande temor e tremor” - reverente diante da glória do Senhor, quebrado em seu orgulho inato, crucificado com Cristo, evitando os ares da
eloqüência e do intelecto. E o que aconteceu? Houve uma demonstração do Espírito e do poder!(2.4)
Sem esta demonstração do Espírito e poder em nossa pregação, nenhum valor permanente será obtido, não importa a quantidade de pessoas que possam admirar nosso poder de convicção, ou deleitar-se nas nossas ilustrações, ou aprender com a nossa doutrina. O alvo da pregação é a glória de Deus na submissão prazerosa de seu povo. Como pode Deus receber a glória de um ato tão evidentemente humano? A primeira carta de Pedro nos dá uma resposta retumbante a esta pergunta: “Cada um exerça o dom que recebeu para servir aos outros, administrando
fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas. Se alguém fala, faça-o como quem transmite a palavra de Deus. Se alguém serve, faça-o com a força que Deus provê, de forma que em todas as coisas Deus seja glorificado mediante Jesus Cristo, a
quem sejam a glória e o poder para todo sempre. Amém (1Pe 4.10-11)”.
Pedro está dizendo que, no que tange ao falar e ao servir, que se fale como quem transmite a palavra de Deus, em confiança no poder de Deus, e o resultado será a glória de Deus. Na pregação, quem define a agenda e concede o poder recebe a glória. Portanto, se quisermos alcançar o alvo de pregação, precisamos simplesmente pregar a Palavra inspirada pelo Espírito de Deus, no poder concedido pelo Espírito de Deus.
Portanto, focalizemo-nos nestes dois aspectos da pregação - a Palavra de Deus, que o Espírito inspirou, e o poder de Deus, que nos é trazido na unção de seu Espírito. A menos que aprendamos a confiar na Palavra do Espírito e no poder do Espírito em toda humildade e mansidão, não será Deus quem receberá a glória em nossa pregação.
John Piper é Pastor batista nos EUA. Fragmento do livro “Supremacia de Deus na pregação”, Shedd Publicações, 2003.
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