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Nos últimos anos o sr.
tem dado ênfase à necessidade de santificação da
Igreja e pregado sobre os incentivos que encontramos na
Palavra de Deus para o cristão manter-se firme diante
das provações e tentações evitando o pecado. Isso
poderia ser considerado uma resposta à teologia da
prosperidade que é pregada hoje?
Bem, que dizer, uma
alternativa. Não sei se seria uma resposta porque
realmente são propostas distintas. Quem está
procurando santidade está procurando a Deus, porque
Deus é santo. Quem está buscando prosperidade está
buscando uma vida melhor aqui na terra, então, são
realmente duas direções bem opostas.
O
sr. acha que a igreja protestante brasileira é uma
igreja mais voltada para o seu interior e alheia às
causas políticas e sociais, em contraste com a igreja
católica notadamente mais atuante inclusive com a
presença de lobby no Congresso Nacional?
Eu acredito que sim, em
geral. Ainda que tenham alguns ramos da Igreja
brasileira que são muito interessados em assuntos políticos,
especialmente para ganhar uma cadeira lá no Congresso,
como deputado ou senador. Quer dizer, talvez seja mais
busca pelo poder e o dinheiro que vem por trás do que
realmente uma preocupação com a situação social.
Seria
mais um interesse particular do que uma causa social ou
ideológica, certo.
Correto.
Nós temos observado
pelo menos aqui em Maceió que a liderança eclesiástica
ultimamente tem buscado apoio nas ciências humanas,
principalmente na psicologia, para lidar com o seu
rebanho. Como o sr. analisa esse movimento.
Eu
não favoreço muito a essa direção, me parece uma
maneira de fugir da Palavra de Deus e da orientação bíblica.
Quando a gente não está realmente estudando a Palavra
e a Palavra perde a sua autoridade a gente procura
outros meios de controlar e direcionar o rebanho. Então
me parece que esse é o modo que tem sido escolhido não
somente no Brasil, mas fora do Brasil também, buscando
na psicologia e na sociologia meios de fazer a Igreja
crescer, meios de satisfazer as necessidades que o povo
sente.
A
experiência histórica demonstra que os grandes
avivamentos que culminaram com o surgimento de várias
igrejas tradicionais foram fruto de reuniões de oração.
Qual o caminho para o verdadeiro avivamento bíblico ou
histórico? É correta a expectativa de um grande
avivamentos nos últimos dias?
A
bíblia coloca avivamento com resposta a oração sim e
também humilhação. Enquanto não há humilhação,
enquanto não há um arrependimento, há muita atenção
a orgulho e vantagens materiais eu acho que o avivamento
vai demorar bastante. Mas quando há humilhação,
quando há jejum e oração a gente pode esperar sim um
avivamento, pois um coração quebrantado Deus não
despreza de forma alguma.
E
para os últimos dias, é correta a expectativa de um
grande avivamento a nível mundial ou a nível nacional
como muitos esperam....
Depende de aparecer o
anticristo, porque nesse caso eu acho que vai dar muito
avivamento, porque a perseguição promove uma busca
muito maior pelo Senhor. Quando a gente perde a esperança
para esta vida a gente começa buscar esperança para a
vida futura e no Senhor, então essa purificação da
Igreja é conseqüência de grande perseguição como
houve na igreja primitiva como houve também em outras
épocas da Igreja, como está acontecendo na China, Coréia,
Vietnã, de certo modo na Índia também, Nepal,
naqueles paises onde é muito, muito custoso ser crente.
Já
estamos vivendo os últimos dias? Caso afirmativo, quais
são os sinais que o sr. identifica?
Os
últimos dias, segundo a palavra de Deus estão
relacionados com mudanças muito rápidas, liberdade
excessiva, a gente vê, por exemplo: amoralidade, numa só
geração o número de divórcios, homossexualismo, essa
idéia de casar gays, todos são sinais do avanço na
liberdade, liberdade sexual, liberdade em termos de
pecado, falta de integridade, tudo isso é muito mais
acentuado em nosso tempo. Enquanto isso progride nessa
direção onde há maior liberdade eu acho que os últimos
dias estão com certeza chegando ai.... é a maneira que
o próprio Senhor descreveu a vinda dele, de que seria
como nos dias de Noé, quando havia liberdade total.
A
secularização européia estaria incluída como um
sinal?
Sem dúvida, falta de
temor de Deus, a completa ausência de qualquer influência
divina, bíblica sobre a vida normal, educação, por
exemplo, o que é que se fala sobre Deus na educação?
Não se fala nada. Excluído.
Inclusive,
a educação, desde os primórdios da Igreja sempre foi
um foco de pregação do evangelho, os monastérios
foram os primeiros a criarem centros educativos,
escolas, colégios e universidades. A igreja protestante
tem abdicado um pouco dessa frente?
Tem
dado para o mundo secular fazer isso porque é muito
vantajoso para este mundo, têm cursos de administração,
cursos de marketing, de tecnologia. Como nosso mundo está
mudando rapidamente, cada vez mais se sente necessidade
de curso, quando a Igreja fica por fora porque a igreja
não está envolvida nessa tentativa de melhorar a vida
a não ser pela doutrina da prosperidade, não é assim
criando grandes escolas, centros de treinamento não.
O
sr. está falando de mudanças rápidas. Com o advento
da pós-modernidade, os economistas - eles mesmos se
auto-intitulam de teólogos do deus-mercado, tem
conseguido influenciar o pensamento mundial em termos
econômicos, em termos de globalização. Quais seriam
os teólogos de fato que pregam a Palavra que têm
conseguido influenciar o pensamento cristão atual que o
sr. destacaria?
Antes
a gente pensava em Billy Grahan por que ele foi uma
figura mundial, reconhecida em todos os países que ele
visitava com grandes multidões e tudo mais. Mas ele está
caindo [saindo] da cena. Quem fica por aí, temos
Alister McGrath, professor de teologia histórica em
Oxford, é um dos nomes que mais se destaca, ele que,
quando Dawkins escreveu aquele livro sobre ateísmo, ele
que vai responder e já respondeu, o livro esta para
sair em português também. Ele é a pessoa que eu acho
que se destaca mais que qualquer outro....
E
aqui no Brasil, em termo locais?
Aqui
no Brasil temos pouca gente.... acabamos de receber a
teologia sistemática de Franklin Ferreira publicado
pela Vida Nova junto com Alan Myatt, que é americano,
mais o livro é de grande envergadura, é um livro
importante. Mas ainda estamos muito rasos nessa área,
em termos de teologia, de pessoas que pesquisam, que
procuram, que lêem!
Eu
li numa entrevista recente que o sr. concedeu que de um
modo geral o sr. considera a liderança eclesiástica, a
grosso modo, como sendo jovem e inexperiente. Faltaria
para o Brasil que as igrejas investissem mais nos líderes?
Talvez que dêem mais
oportunidade, mais acho só vem com o tempo, porque a
gente chega a esse ponto quando vêm crises. O que é
que produziu os grandes teólogos da reforma foi
justamente a crise, a luta com aqueles , tinham que se
defender, as pessoas estavam sendo mortas pela fé, nós
temos que saber se vale a pena e como nós temos essa
perseguição aqui, a gente acha mais interessante fazer
a igreja crescer com entusiasmo com música rock e vamos
pra frente.
Durante
a segunda guerra mundial, dois dos maiores teólogos do
século passado estiveram presentes, porém de lados
opostos. De um lado, Dietrich Bonheffer, considerado um
mártir cristão e enforcado pelo regime nazista e, de
outro, Jurgen Moltmann, militar alemão que tornou-se
prisioneiro de guerra e converteu-se nesse período.
Deus ainda precisa de muitas diásporas ou, como o sr.
tem dito, muitas perseguições, para causar
despertamento no seu povo?
É bem possível. Eu não
posso predizer, mas eu sei que a igreja segundo Efésios
para receber o seu Senhor, seu noivo, como noiva, ela
tem que ser uma noiva santa, sem mácula, irrepreensível
e isso não vejo muito não.
Isso só pode acontecer, na minha opinião, através
de perseguição, quando a Igreja realmente se torna
perseguida, e para isso Deus permite que o anticristo
apareça, portanto eu estou aguardando que a qualquer
hora ele apareça.
Para
purificação dos santos.....
Isso.
Falando
sobre perfeição, o apóstolo Paulo disse que esse
seria o vínculo da perfeição. O escritor de Hebreus
enfatiza que o alimento sólido é para os perfeitos,
aqueles que em razão do costume, estariam capacitados a
discernir entre o bem e o mal. O bispo Tiago também diz
que é perfeito aquele que não tropeça em palavra.
Finalmente, o próprio Jesus ensinou que é possível
sermos perfeitos se amarmos aos nossos inimigos. Diante
de tantas referências, ainda escutamos em muitos púlpitos
que perfeito somente é Jesus. Como o sr. vê essa situação?
Afinal, é possível para o cristão atingir a perfeição?
Depende de como o irmão
interpreta. A palavra perfeição no original significa
pessoa madura, pessoa adulta, que não vai crescer mais,
que chegou ao auge da sua vida, portanto quando pensamos
dessa forma, claro que tem pessoas que chegam a ser
adultos, como o texto de Hebreus e tem pessoas que ainda
estão em fase de crescimento, de conhecimento porque
como o texto mostra a ignorância é uma das razões de
tomar decisões erradas e até pecaminosas. Portanto, na
medida que igreja
realmente instrua seus membros eles podem chegar ao que
a Bíblia chama, especialmente ao Antigo Testamento de
justiça, são justos na terra. A gente vê o Salmo 1 um
exemplo em que distingue entre os justos e os que são
como a palha, um homem que não tem princípios, que vive como
qualquer mundano secular hoje, sem Deus, portanto perfeição
se olharmos desse ponto de vista, de uma pessoa
irrepreensível, pastor que tem que ser irrepreensível,
isto é, uma pessoa que não tem nenhuma acusação válida,
pode haver muita acusação
inválida, mas válida não tem, é o que Deus está
procurando. Agora, perfeição no sentido de que não
peca mais também não, vide 1 Jo 1:8,9,10.
Há
alguns anos, C. S. Lewis escreveu que os cristãos
estavam elegendo a abnegação, isto é, a renúncia,
como a maior das virtudes, em detrimento do dom do amor
que ocupara esse espaço no século XIX. É possível
encontrar um equilíbrio no agir cristão. Qual seria um
distintivo do cristão atual?
Sempre tem que ser
segundo a própria palavra de Jesus, o amor para os irmãos.
Em 1 Pe 2 nós somos regenerados obedecendo a verdade
para amar os irmãos e desse modo o mundo saberá que nós
somos discípulos de Jesus se nos amarmos uns aos
outros. É o fruto do espírito, tem que nascer do espírito
em amor e amor vem junto com as outras manifestações
mas todas são de amor em Gálatas 5:22-23.
Um
dos livros que o sr. escreveu é sobre um tema bastante
delicado que fala sobre a disciplina na Igreja,
normalmente ela é levada a cabo com muita dureza ou de
maneira muito relapsa. Como o sr. encontraria um meio
termo para que o líder ou o pastor pudesse trabalhar
essa questão da disciplina na Igreja.
Eu acredito que ele tem
que seguir e imitar a Jesus. a disciplina de Jesus foi
muito dura, em relação por exemplo, Ananias e Safira.
O Espírito Santo foi muito duro, eles morreram, não
tiveram nem chance de se arrepender. No caso de Pedro,
que pecou muito mais gravemente do ponto de vista
humano, pelo menos, Jesus o restaurou dentro de dias,
ele estava restaurado e autorizado a pastorear suas
ovelhas. Então a imitação de Jesus é buscar aquele
meio termo tentando entender a sinceridade do
arrependimento porque o verdadeiro arrependimento, como
foi o caso de Pedro, é o caminho de volta enquanto no
caso de uma pessoa que não se arrepende, não é o
caminho de volta e só produz tristeza, só produz mais
pecado no futuro. Portanto, é preciso saber analisar e
avaliar a sinceridade do arrependimento. O irmão
conheceu Caio Fábio, o que o irmão acha do
arrependimento dele, você acha que ele se arrependeu?
Acho
que ele se arrependeu mais continuou no pecado, a meu
ver.
Exatamente, não é o
arrependimento de que estamos falando.
O
verdadeiro arrependimento seria ter deixado a pessoa que
causou aquele mal na sua família....
Mas ele não quer se
sacrificar a esse ponto. Ele até me falou.... quer não......
ele achou que se os outros são tão ruins com ele então
como ele vai mudar e tomar uma decisão como essa e
ficar infeliz, porque por trás de tudo esta a
felicidade. vida moderna: merece ser feliz
Inclusive na Igreja
Primitiva e nas próprias cartas do apóstolo Paulo, nós
vemos que não existia uma preocupação com o que as
pessoas iriam pensar; existia o zelo pela santidade,
pela prática da palavra e se havia necessidade de
exortação, era exortado, assim também se havia
necessidade de exclusão, de repreensão. Hoje em dia,
com a questão dos direitos humanos muitos pastores se
sentem intimidados porque os membros de re repente podem
processar, mas como fica a Palavra de Deus nessa situação?
Nós temos que
enfrentar como a igreja primitiva enfrentou, também não
era legal ser cristão, era uma religião ilegal,
portanto, temos que andar com muito cuidado.
O
sr. receberia o título de doutor em divindade?
Eu já recebi, já me
deram há uns anos atrás, um seminário da América,
mas eu não faço muito caso disso.
Que
livros o sr. indicaria para os nossos leitores do Jornal
O Farol, além da Bíblia que tem que ser livro de
cabeceira?
Como o ferro afia o
ferro é muito bom, Companheiros de Luta, são tanto
livros, o livro de Alister McGrath sobre o apego a
verdade, muito importante, que ele mostra que as bases
da nossa fé que são muito claras, é um livro bastante
erudito, por que ele é um erudito. Talvez um dos
melhores títulos que acaba de sair é de Nancy Pearson
da CPAD, Verdade Absoluta, é muito bom.
É
em parceria com Charles Colson?
Creio que esse não, se
não me engano.
Eles
tem editado livros em conjunto sobre cultura....
O cristão na cultura de hoje
Nós começamos a perceber
que estamos numa situação de conflito muito forte
entre o que é verdade que a gente tem que crer e aquilo
que a gente pode rasgar.
Para
finalizar que palavra o sr. deixaria para o público que
vai ler e ouvir esta entrevista?
Eu recomendaria uma
palavra de perseverança. Aquele que perseverar até o
fim esse será salvo. O problema é que uma teologia
muito divulgada entre batistas e presbiterianos é que o
crente não perde salvação, não perde. Então o
crente pode viver uma vida bastante fora de padrões bíblicos
e ainda esperar a salvação, mas a palavra de Deus é
muito clara.que se o crente não abandona o pecado, se não
se arrepende de verdade, não tem esperança na vida
eterna, não importa se ele toma a decisão, se é
batizado .... e eu
recomendaria por exemplo um versículo em romanos 8:13 a
parte b "se, pelo espírito mortificardes a obras
da carne, viverás mas, se não, se viverdes de acordo
com a carne, morreram" e morrer lá é morrer
espiritualmente. Então é uma palavra que parece que não
está muito ......
Em
moda....
Muito
em moda [risos]
Esvazia
os templos....
A
gente percebe ....., como eu sou perfeito e ninguém é
perfeito então eu posso viver com eu acho razoável e não
há uma busca pela santificação, não há uma busca
pelo Senhor, a gente mente, a gente vai roubando,
adulterando, mas tudo bem por que Deus sabe como nós
somos, essa idéia de tolerância muito forte é parte
da vida moderna, crianças são criadas assim,
tolerando. Quando nós éramos menores não era assim não,
era lei, lei e graça tal como as leis do universo que não
perdoam nenhum. Se a gente da um exagero na graça então
pode esquecer e pular do prédio e acha que vai ficar
tudo bem quando chegar lá embaixo por causa da graça.
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